http://www.vimeo.com/10810806
Lembro como se fosse ontem da época em que os vídeos de casamento tinham uma paisagem na abertura (cachoeira e flores eram o mais comum) e Kenny G como trilha sonora. E quem aqui não lembra? Recentemente essa lista “Billboard” era ocupada por Cold Play e Jason Mraz, e de vez em quando alguns revivors, como Fred Mercury e U2. A verdade é que o vídeo de casamento não teve nenhuma mudança significativa em sua estrutura desde que me entendo por gente. São longos e com pouca dinâmica entre as cenas. Tal fato faz com que o espectador não largue o controle remoto e assista o vídeo apertando forward em busca das cenas mais interessantes a todo momento. Atualmente isso está mudando.
Assim como aconteceu com a fotografia, a mais ou menos 6 anos atrás, quando se popularizou o uso das câmeras digitais o vídeo está passando por sua reformulação, e não é só pelo uso das HDSLR, pois a mudança significativa está na montagem dos filmes. Os vídeos estão contando histórias e o trabalho de edição está sendo muito mais minucioso para que o espectador fique preso e não sinta vontade de apertar forward em busca das cenas que lhe interessam. A montagem está mais artística e isso exige maior criatividade do editor.
Para você ter ideia da importância do editor, Quentin Tarantino compara o trabalho deste profissional ao de compositor e escritor: “Para os músicos o bloco de construção é a nota, para um escritor, é a palavra, e para um editor são os frames, e Dois frames a mais ou dois frames a menos, é a diferença entre uma nota ácida e uma nota doce. Esta é a diferença entre o lixo, o ruim, ok e o ritmo orgásmico”.
Uma outra questão é a popularização das HDSLR. O uso de câmeras fotográficas tem provocado uma certa aceleração deste processo uma vez que o seu uso calhou de ser associado a estes vídeos. Mas por que essa associação? O lançamento destas câmeras coincidiu com o surgimento desta nova linguagem. E estas câmeras surgiram por haver no mercado uma lacuna entre as filmadoras, e esta lacuna não era somente pela qualidade de imagem das câmeras, mas também pelo valor. A Canon enxergou isso e decidiu investir com a proposta de “cobrir” esse abismo e lançou a câmera EOS 5D Mark II. Só para ter ideia do sucesso desta câmera, os lojistas não conseguiam fazer estoque. As câmeras chegavam às lojas e já eram destinadas ao consumidor. E o uso destas câmeras trouxe beleza estética aos vídeos que vão além da qualidade de imagem e nitidez produzidas por elas. Imagine a possibilidade de aplicar os conceitos de fotografia no vídeo. Pra mim esse é um dos grandes diferenciais que os profissionais deverão se preocupar.
A qualificação dos outros cinegrafistas é imprescindível. Produzir um filme de casamento é um trabalho de equipe onde o segundo cinegrafista tem que ser tão bom ou melhor que o primeiro, pois de nada valerá o trabalho se o seu companheiro de equipe não estiver no mesmo nível que você.
E um ítem muito importante nesse trabalho é a captura do áudio. Costumo dizer que ele tem entre 60% e 70% de valor no filme. Daí você tem a noção de como a captura bem feita é importantíssima.
O processo de reformulação é real, mas isso não quer dizer que o modelo de vídeo que está no mercado a anos irá acabar. Esta nova opção veio para agregar e oferecer aos noivos uma nova visão sobre algo, até então, tratado como ítem que deve ter por desencargo de consciência.
Uma outra coisa boa desta mudança é a valorização do profissional, uma vez que o mesmo é mais exigido por isso e está produzindo um produto de valor imensurável, uma verdadeira obra de arte, o cliente reconhece o seu merecido valor.
Vinícius Martins